Para o sucesso do cinema brasileiro neste ano eu poderia citar diversos dados e estatísticas que provam o maior número de espectadores interessados nas produções nacionais, além destas estarem ocupando mais salas de cinema no país. Mas acho que basta dar uma olhada na lista abaixo para (pre)ver os filmes que mais prometem semanas em cartaz - pelo menos mais que duas.
JANEIRO
Desenrola, de Rosane Svartman (Downtown/Riofilme)
Com Marcelo Novaes, Letícia Spiler, Pedro Bial, Kayky Brito
Priscila tem 16 anos e é virgem. Quando sua mãe viaja a trabalho por 20 dias, deixando a casa só para ela, tudo pode mudar.
Brasil Animado 3D, de Mariana Caltabiano (Imagem)
Stress e Relax partem em busca do “Grande Jequitibá Rosa” e acabam descobrindo o Brasil.
Lixo Extraordinário, de João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker (Downtown)
A relação entre lixo e arte, dois segmentos extremos da sociedade carioca, é o ponto de partida para o documentário. O filme aproxima o universo intelectual à tão diferente realidade das pessoas que colhem o lixo.
Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini (Downtown/Riofilme)
Com Fernanda Freitas, Marcello Serrado
O paulistano Luis, um conquistador, se apaixona perdidamente pela carioca Malu. Eles se casam, mas o relacionamento é abalado pelas suspeitas de que ela tem um amante.
FEVEREIRO
O Samba que Mora em Mim, de Georgia Guerra-Peixe (Pandora)
Com Timbaca, Cosminho, Lili
O ponto de partida é a quadra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, lugar do reencontro da diretora Georgia com sua própria história.
Sequestro, de Wolney Atalla (Downtown)
Durante quatro anos, uma equipe de filmagem acompanhou de perto as investigações e táticas até então sigilosas da Divisão Anti-Sequestro de São Paulo.
Qualquer Gato Vira-Lata, de Tomas Portella (Disney)
Com Cléo Pires, Malvino Salvador
Tati é abandonada por Marcelo e busca a ajuda de Conrado, um cético professor de biologia. Ele sugere uma mudança de comportamento, baseada nas atitudes dos animais, para que assim ela possa reconquistar o namorado.
Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini (Imagem/Riofilme)
Com Deborah Secco, Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes
Raquel é uma típica menina da classe média paulistana que decide ser garota de programa, usando o nome de Bruna Surfistinha.
A Velha dos Fundos, de Pablo Meza (Panda Filmes)
Com Adriana Aizemberg, Martín Piroyansky, Rafael Sieg
Duas pessoas solitárias vivem anônimas na grande metrópole em uma relação improvável que explora os limites da convivência humana.
Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo (Panda Filmes)
Com Dalton Vigh, Rodrigo Cornelsen, Carolina Holanda
A história do astrônomo Francisco, um homem que dedicou sua vida ao estudo dos astros e deixou de lado sua vida pessoal.
MARÇO
Lope, de Andrucha Waddington (Warner)
Com Alberto Ammann, Pilar López de Ayala, Selton Mello, Sonia Braga
Cercado de aventuras e dividido entre duas paixões, o maior poeta e dramaturga da Espanha, Felix Lope de Vega, coloca sua vida em jogo por amor.
Uma Professora Muito Maluquinha, de André Pinto e Cesar Rodrigues (Downtown)
Com Paola Oliveira, Chico Anysio, Suely Franco
Uma jovem de 18 anos retorna ao interior para lecionar na escola primária, mas seu comportamento de vanguarda não agrada as professoras conservadoras.
Raul Seixas – O início, o fim e o meio, de Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel (Paramount)
Documentário sobre a vida e obra de Raul Seixas.
Família Vende Tudo, de Alain Fresnot (PlayArte)
Com Luana Piovani, Lima Duarte, Caco Ciocler, Vera Holtz
Família em dificuldades financeiras faz com que a filha engravide de cantor famoso.
VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano (Imovision)
Documentário sobre Marcelo Nascimento, que ao longo de vários anos assumiu diversas identidades, chegando a enganar um grupo de celebridades.
Bróder, de Jeferson De (Sony)
Com Caio Blat, Jonathan Haagensen, Silvio Guindane
A história de três amigos da periferia de São Paulo e suas diferentes escolhas de vida.
Nana Caymmi em Rio Sonata, de Georges Gachot (Imovision)
Documentário sobre Nana Caymmi, personagem-chave da história da música brasileira dos últimos cinquenta anos.
Rosa Morena, de Carlos Augusto de Oliveira (Europa)
Com Vivianne Pasmanter, Bárbara Garcia
Um homem gay dinamarquês tenta adotar uma criança brasileira.
VIPs, de Toniko Melo (Universal)
Com Wagner Moura
A história de um farsante cujo golpe mais famoso foi ter se passado pelo irmão do dono da empresa aérea Gol durante o carnaval do Recife.
Mamonas pra sempre!, de Claudio Khans (Europa)
A história da banda Mamonas Assassinas, cuja meteórica carreira foi interrompida por um acidente aéreo.
ABRIL
As Mães de Chico Xavier, de Glauber Filho e Halder Gomes (Paris)
Com Nelson Xavier, Herson Capri, Via Negromonte, Caio Blat
Baseado em fatos reais, o filme conta a história de três mães cujas realidades se transformam quando recebem conforto e reencontram a esperança de vida através do médium.
Rio, de Carlos Saldanha (Fox)
Vozes: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro
Um papagaio tenta viajar dos EUA para o Brasil. Com exibição em 3D.
Amor?, de João Jardim (Copacabana)
Com Lilia Cabral, Eduardo Moskovis, Letícia Collin, Julia Lemmertz
Uma mistura de documentário e ficção em que atores e atrizes interpretam o depoimento de pessoas reais.
Cilada.com, de José Alvarenga Jr. (Downtown)
Com Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Mauro Mendonça
A namorada de Bruno descobre que ele a traiu. Como vingança ela resolve colocar no YouTube um vídeo de uma transa do casal.
Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, de Hugo Carvana (Imagem)
Com Tarcísio Meira, Flávia Alessandra, Antonio Pedro, Gregório Duvivier
O ator Lalau Velasco recebe uma proposta de R$100 mil para representar um personagem na vida real.
Marcha para a Vida, de Jessica Sanders (Europa)
Com Oshri Cohen, Zohar Shtrauss, Michael Moshonov
Documentário que acompanha a jornada anual realizada por milhares de jovens judeus de todo o mundo pelo mesmo caminho que milhões de judeus atravessaram no passado, mantendo acesa a memória das vítimas do Holocausto.
MAIO
Não se Pode Viver sem Amor, de Jorge Duran (Pandora)
Com Cauã Reymond, Simone Spoladore, Fabiula Nascimento e Ângelo Antonio
Gabriel chega ao Rio para encontrar seu pai, que o abandonou anos atrás. Ao lado da mãe, ele atravessa a cidade encontrando personagens em situações-limite.
JUNHO
Estamos Juntos, de Toni Venturi (Imagem)
Com Dira Paes, Cauã Reymond, Leandra Leal
Uma médica descobre que está com uma doença fatal.
JULHO
Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo (Fox)
Com: Milhem Cortaz, Lima Duarte, Giulia Gam
Inspirado na história real do crime ocorrido em Fortaleza, em 2005, tido como o maior assalto a um banco no Brasil.
AGOSTO
Capitães da Areia, de Cecília Amado (Imagem)
Com Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Robério Lima
A história de um bando de meninos de rua na Bahia em 1950. Baseado na obra de Jorge Amado.
O Palhaço, de Selton Mello (Imagem)
Com Selton Mello, Paulo José
No interior de Minas Gerais, palhaço vive crise existencial e artística.
SETEMBRO
O Homem do Futuro, de Cláudio Torres (Paramount)
Com Wagner Moura, Alinne Moraes
O cientista Zero desenvolve uma máquina do tempo e volta ao passado para mudar seu destino.
Lutas, de Luiz Bolognesi (Europa)
Vozes: Selton Mello, Camila Pitanga
Quatro episódios da História do Brasil, desde antes da chegada dos europeus até o ano 2080, contados por um personagem que está vivo há 600 anos.
OUTUBRO
Dois Coelhos, de Afonso Poyart (Imagem)
Com Alessandra Negrini, Fernando Alves Pinto, Caco Ciocler
Espremido entre a criminalidade e o poder político corrupto, Edgar resolve fazer justiça com as próprias mãos, elaborando um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.
DEZEMBRO
Billi Pig, de José Eduardo Belmonte (Imagem)
Com Selton Mello, Grazi Massafera
Um malandro vendedor de seguros e sua namorada são perseguidos por um traficante.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
sobre o filme José e Pilar (2010), de Miguel Gonçalves Mendes
O documentário português José e Pilar certamente é um dos filmes mais emocionantes que já vi até então. Como grande parte dos espectadores, eu conhecia as obras do escritor português Saramago, mas nada de sua vida pessoal, muito menos sabia da influência de sua esposa, a espanhola Pilar del Río. Sem invadir a privacidade, o filme mostra a relação deles de um modo muito espontâneo e doce. Chorei muito durante a exibição pois não conseguia deixar de pensar na morte de Saramago e como Pilar deve ter sofrido. O filme entra bastante na questão da morte e o escritor fala abertamente sobre isso. Já Pilar prefere falar sobre a vida pois, segundo o próprio Saramago: "eu tenho ideias para a arte, Pilar tem ideias para a vida".
Abaixo, reproduzo uma nota que escrevi para o r7.com, em 14/08/2010, sobre a pré-estreia do filme na Festa Literária Internacional de Paraty:
Somente 40 minutos do documentário José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, foram exibidos no último sábado (7), na 8ª Festa Literária Internacional de Paraty. A obra foi filmada em três anos e, antes de ser editada, tinha 200 horas de gravação. O cineasta português participou de debate após a exibição do filme, que mostra o relacionamento do escritor José Saramago com sua esposa Pilar del Río.
Morto aos 87 anos em sua casa, o longa mostra Saramago em momentos reflexivos, falando sobre a morte, pelo fato de “ter estado e já não estar” e seu desejo de “morrer lúcido e de olhos abertos”. Apesar de triste, o filme também é otimista e bem-humorado, com cenas em que ele aparece jogando Paciência em seu computador.
Mendes acompanha os anos de lançamento do livro A Viagem do Elefante e a agenda lotada de Saramago, que ao ser questionado por que não diminui o ritmo das viagens responde que “o tempo aperta”. Ele confessa estar farto de dar entrevistas, das sessões de autógrafos intermináveis enquanto algumas cenas da coletiva feita no Brasil são exibidas.
O cineasta português estreou no cinema em 2002, com o curta-metragem documental D. Nieves, sobre a relação entre Galiza e Portugal. Saramago gravou uma narração para este filme e logo foi convidado pelo diretor para ter sua vida retratada, mas recusou. Em 2004, Mendes lançou Autografia, documentário sobre o pintor surrealista e poeta Mário Cesariny e o mostrou para Saramago ainda na insistência do convite. O escritor gostou do filme e revelou para Mendes que tinha medo de não ser tão interessante quanto o poeta.
O filme não possui entrevistas e, dificilmente, Saramago fala diretamente para a câmera. Mendes acompanhou o escritor em uma má fase, em que estava adoecido. O cineasta se mostrou inconformado pelo fato do presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, não ter comparecido ao enterro.
O escritor tinha 60 anos quando começou a escrever. Comunista, ateu, não pertencia à elite portuguesa. Sua mulher Pilar é peça-chave na divulgação e na internacionalização de sua obra. Eles se conheceram em 1986, no lançamento de A Jangada de Pedra. O foco principal do filme é o amor vivido pelo casal, conta o diretor.
- Ele era o português melancólico e ela a força espanhola. No início, o filme se chamaria União Ibérica, como uma metáfora do casal, mas José e Pilar é mais simples, como eles eram. Não quis fazer um filme sobre a obra de Saramago, mas da intimidade de um casal extraordinário. Outros documentários já exibidos na televisão mostram sua obra. Eu só não queria que fosse tão cronológico.
O cineasta disse que o filme é sobre o comportamento dos dias de hoje e, principalmente, sobre a morte.
- Eu tenho um pânico imenso de morrer. Acho que por isso faço filmes com essa temática, na tentativa da pacificação.
José e Pilar foi recusado pelo Instituto de Cinema de Portugal para ganhar recursos. Restou a Mendes mandar um e-mail para as produtoras El Deseo, de Pedro Almodóvar, e o2 Filmes, de Fernando Meirelles, que toparam e se juntaram a sua própria, JumpCut. O cineasta revela o quanto é difícil fazer cinema em Portugal.
- O filme ficou muito caro por causa de todas as viagens que fizemos ao lado de Saramago. Estou com dívidas de 100 mil euros e tive que quitar a minha casa.
Para ter o filme que queria, Mendes confessa que precisava de mais seis meses para editar. O primeiro corte tinha seis horas e foi condensado em duas.
- Assim fica difícil saber se o que inclui no documentário é bom. Para construir confiança com o casal, passei muito tempo filmando. Gravamos seis horas de reunião dele com a editora, mas não usamos nenhum minuto. Era só para fazer eles esqueceram a câmera.
Abaixo, reproduzo uma nota que escrevi para o r7.com, em 14/08/2010, sobre a pré-estreia do filme na Festa Literária Internacional de Paraty:
Somente 40 minutos do documentário José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, foram exibidos no último sábado (7), na 8ª Festa Literária Internacional de Paraty. A obra foi filmada em três anos e, antes de ser editada, tinha 200 horas de gravação. O cineasta português participou de debate após a exibição do filme, que mostra o relacionamento do escritor José Saramago com sua esposa Pilar del Río.
Morto aos 87 anos em sua casa, o longa mostra Saramago em momentos reflexivos, falando sobre a morte, pelo fato de “ter estado e já não estar” e seu desejo de “morrer lúcido e de olhos abertos”. Apesar de triste, o filme também é otimista e bem-humorado, com cenas em que ele aparece jogando Paciência em seu computador.
Mendes acompanha os anos de lançamento do livro A Viagem do Elefante e a agenda lotada de Saramago, que ao ser questionado por que não diminui o ritmo das viagens responde que “o tempo aperta”. Ele confessa estar farto de dar entrevistas, das sessões de autógrafos intermináveis enquanto algumas cenas da coletiva feita no Brasil são exibidas.
O cineasta português estreou no cinema em 2002, com o curta-metragem documental D. Nieves, sobre a relação entre Galiza e Portugal. Saramago gravou uma narração para este filme e logo foi convidado pelo diretor para ter sua vida retratada, mas recusou. Em 2004, Mendes lançou Autografia, documentário sobre o pintor surrealista e poeta Mário Cesariny e o mostrou para Saramago ainda na insistência do convite. O escritor gostou do filme e revelou para Mendes que tinha medo de não ser tão interessante quanto o poeta.
O filme não possui entrevistas e, dificilmente, Saramago fala diretamente para a câmera. Mendes acompanhou o escritor em uma má fase, em que estava adoecido. O cineasta se mostrou inconformado pelo fato do presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, não ter comparecido ao enterro.
O escritor tinha 60 anos quando começou a escrever. Comunista, ateu, não pertencia à elite portuguesa. Sua mulher Pilar é peça-chave na divulgação e na internacionalização de sua obra. Eles se conheceram em 1986, no lançamento de A Jangada de Pedra. O foco principal do filme é o amor vivido pelo casal, conta o diretor.
- Ele era o português melancólico e ela a força espanhola. No início, o filme se chamaria União Ibérica, como uma metáfora do casal, mas José e Pilar é mais simples, como eles eram. Não quis fazer um filme sobre a obra de Saramago, mas da intimidade de um casal extraordinário. Outros documentários já exibidos na televisão mostram sua obra. Eu só não queria que fosse tão cronológico.
O cineasta disse que o filme é sobre o comportamento dos dias de hoje e, principalmente, sobre a morte.
- Eu tenho um pânico imenso de morrer. Acho que por isso faço filmes com essa temática, na tentativa da pacificação.
José e Pilar foi recusado pelo Instituto de Cinema de Portugal para ganhar recursos. Restou a Mendes mandar um e-mail para as produtoras El Deseo, de Pedro Almodóvar, e o2 Filmes, de Fernando Meirelles, que toparam e se juntaram a sua própria, JumpCut. O cineasta revela o quanto é difícil fazer cinema em Portugal.
- O filme ficou muito caro por causa de todas as viagens que fizemos ao lado de Saramago. Estou com dívidas de 100 mil euros e tive que quitar a minha casa.
Para ter o filme que queria, Mendes confessa que precisava de mais seis meses para editar. O primeiro corte tinha seis horas e foi condensado em duas.
- Assim fica difícil saber se o que inclui no documentário é bom. Para construir confiança com o casal, passei muito tempo filmando. Gravamos seis horas de reunião dele com a editora, mas não usamos nenhum minuto. Era só para fazer eles esqueceram a câmera.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sobre a 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Estive pela primeira vez na Mostra de Cinema de Tiradentes e me arrependi por nunca ter ido antes, com a esperança de voltar mais vezes. De 21 a 29 de janeiro de 2011, o evento inaugura os festivais brasileiros de cinema e recebe por volta de 30 mil pessoas (Tiradentes, cidade histórica de Minas Gerais, tem 5 mil habitantes). Os homenageados deste ano foram o cineasta Paulo Cezar Saraceni e o ator Irandhir Santos, personalidades de duas gerações distintas do cinema brasileiro.
No site oficial, o curador Cléber Eduardo publicou um texto sobre o tema desta 14ª edição, "Inquietações Políticas", em que diz:
Não se trata apenas de filmes com temática política, mas obras com uma política da representação e de construção de seus mundos, seus personagens, ora apenas expondo mal estares sem se preocupar com relações mais amplas desse sofrimento, ora promovendo com a própria linguagem uma reação a seu entorno
No último dia do evento, o filme Os Residentes, de Tiago Mata Machado, venceu a Mostra Aurora - dedicada a novos cineastas. O melhor curta-metragem da Mostra Foco, eleito pelo júri da crítica, foi Vó Maria, de Thomas von der Osten. Já o júri Popular elegeu Traz Outro Amigo Também, de Frederico Cabral, como melhor curta-metragem. Pelo voto popular, o melhor longa-metragem desta edição foi Solidão e Fé, de Tatiana Lohmann.
Para saber mais sobre o que aconteceu durante a Mostra (afinal, são muitos filmes, oficinas, debates, entrevistas) basta entrar no site www.mostratiradentes.com.br e clique aqui para ver muitas fotos.
Lá, também há uma Carta de Tiradentes, escrita e assinada por profissionais respeitadíssimos da área.
Se você gosta de cinema brasileiro vale muito a pena ir até Tiradentes. Além da cidade ser linda, você sairá de lá respirando essa arte.
Abaixo, veja um histórico do que já rolou na Mostra de Cinema de Tiradentes:
1ª edição (1998) - homenageados: Carla Camurati e Paulo José / 21 sessões de cinema para 6.400 pessoas / 17 longas e 6 curtas / exposição de fotos de Humberto Mauro / Curadoria: Mônica Cerqueira
2ª edição - homenageados: Denoy de Oliveira (in memorian), Helvécio Ratton e Patrícia Pillar / 40 sessões de cinema para 10.800 pessoas / 22 longas e 27 curtas / exposição de fotos de Silvino Santos / Curadoria: Érika Bauer
3ª edição - homenageado: Carlos Reichenbach / Melhor longa: Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão / Melhor curta: O oitavo selo, de Tomás Enrique Creus / Curadoria: Francesca Azzi
4ª edição - tema: Mulheres em Cena / homenageadas: Ana Carolina e Odete Lara / Melhor longa: O auto da compadecida, de Guel Arraes / Melhor curta: A invenção da infância, de Liliana Sulzbach / Melhor vídeo: Secos e molhados, de Armando Mendzz / Curadoria: Francesca Azzi
5ª edição - tema: Cinema de Ator e Cinema de Autor / homenageados: Júlio Bressane e José Lewgoy / Melhor longa: Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho / Melhor curta: Onde Andará Petrúcio Felker?, de Allan Sieber / Melhor vídeo: Oscar Araripe, de César Tolentino / Curadoria: Francesca Azzi
6ª edição - tema: Heróis do cotidiano no cinema brasileiro / homenageados: Gianfrancesco Guarnierie e Eduardo Coutinho / Melhor longa: Separações, de Domingos de Oliveira / Melhor curta: A Lasanha Assassina, de Ale McHaddo / Curadoria de Longas: Roberta Canuto / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
7ª edição - tema: Modos narrativos do cinema brasileiro / homenageados: Nelson Pereira dos Santos e Paulo César Pereio / Melhor longa: O Preço da Paz, de Paulo Morelli / Melhor curta: Cega Seca, de Sofia Federico / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
8ª edição - tema: O primeiro cinema / homenageados: Walter Lima Jr. e Cao Guimarães / Melhor longa: Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo / Melhor curta: O Último Raio de Sol, de Bruno Torres / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
9ª edição - tema: Livre Pensar / homenageados: Ruy Guerra e Eder Santos / Melhor longa: Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo / Melhor curta: Eletrodoméstica, de Kléber Mendonça Filho / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
10ª edição - tema: Vitalidade do cinema brasileiro / homenageados: Beto Brant, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos e Fábio Carvalho / Melhor longa: Noel, Poeta da Vila, de Ricardo van Steen / Melhor curta: Vida Maria, de Márcio Ramos / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
11ª edição - tema: Juventude em Trânsito / homenageados: Rosanne Mulholland e João Miguel / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
12ª edição - tema: O personagem e o seu lugar / homenageado: José Eduardo Belmonte / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
13ª edição - tema: Paradoxos do contemporâneo / homenageado: Karim Aïnouz / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
No site oficial, o curador Cléber Eduardo publicou um texto sobre o tema desta 14ª edição, "Inquietações Políticas", em que diz:
Não se trata apenas de filmes com temática política, mas obras com uma política da representação e de construção de seus mundos, seus personagens, ora apenas expondo mal estares sem se preocupar com relações mais amplas desse sofrimento, ora promovendo com a própria linguagem uma reação a seu entorno
No último dia do evento, o filme Os Residentes, de Tiago Mata Machado, venceu a Mostra Aurora - dedicada a novos cineastas. O melhor curta-metragem da Mostra Foco, eleito pelo júri da crítica, foi Vó Maria, de Thomas von der Osten. Já o júri Popular elegeu Traz Outro Amigo Também, de Frederico Cabral, como melhor curta-metragem. Pelo voto popular, o melhor longa-metragem desta edição foi Solidão e Fé, de Tatiana Lohmann.
Para saber mais sobre o que aconteceu durante a Mostra (afinal, são muitos filmes, oficinas, debates, entrevistas) basta entrar no site www.mostratiradentes.com.br e clique aqui para ver muitas fotos.
Lá, também há uma Carta de Tiradentes, escrita e assinada por profissionais respeitadíssimos da área.
Se você gosta de cinema brasileiro vale muito a pena ir até Tiradentes. Além da cidade ser linda, você sairá de lá respirando essa arte.
Abaixo, veja um histórico do que já rolou na Mostra de Cinema de Tiradentes:
1ª edição (1998) - homenageados: Carla Camurati e Paulo José / 21 sessões de cinema para 6.400 pessoas / 17 longas e 6 curtas / exposição de fotos de Humberto Mauro / Curadoria: Mônica Cerqueira
2ª edição - homenageados: Denoy de Oliveira (in memorian), Helvécio Ratton e Patrícia Pillar / 40 sessões de cinema para 10.800 pessoas / 22 longas e 27 curtas / exposição de fotos de Silvino Santos / Curadoria: Érika Bauer
3ª edição - homenageado: Carlos Reichenbach / Melhor longa: Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão / Melhor curta: O oitavo selo, de Tomás Enrique Creus / Curadoria: Francesca Azzi
4ª edição - tema: Mulheres em Cena / homenageadas: Ana Carolina e Odete Lara / Melhor longa: O auto da compadecida, de Guel Arraes / Melhor curta: A invenção da infância, de Liliana Sulzbach / Melhor vídeo: Secos e molhados, de Armando Mendzz / Curadoria: Francesca Azzi
5ª edição - tema: Cinema de Ator e Cinema de Autor / homenageados: Júlio Bressane e José Lewgoy / Melhor longa: Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho / Melhor curta: Onde Andará Petrúcio Felker?, de Allan Sieber / Melhor vídeo: Oscar Araripe, de César Tolentino / Curadoria: Francesca Azzi
6ª edição - tema: Heróis do cotidiano no cinema brasileiro / homenageados: Gianfrancesco Guarnierie e Eduardo Coutinho / Melhor longa: Separações, de Domingos de Oliveira / Melhor curta: A Lasanha Assassina, de Ale McHaddo / Curadoria de Longas: Roberta Canuto / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
7ª edição - tema: Modos narrativos do cinema brasileiro / homenageados: Nelson Pereira dos Santos e Paulo César Pereio / Melhor longa: O Preço da Paz, de Paulo Morelli / Melhor curta: Cega Seca, de Sofia Federico / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
8ª edição - tema: O primeiro cinema / homenageados: Walter Lima Jr. e Cao Guimarães / Melhor longa: Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo / Melhor curta: O Último Raio de Sol, de Bruno Torres / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
9ª edição - tema: Livre Pensar / homenageados: Ruy Guerra e Eder Santos / Melhor longa: Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo / Melhor curta: Eletrodoméstica, de Kléber Mendonça Filho / Curadoria de Longas: Francesca Azzi / Curadoria de Curtas: Daniella Azzi
10ª edição - tema: Vitalidade do cinema brasileiro / homenageados: Beto Brant, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos e Fábio Carvalho / Melhor longa: Noel, Poeta da Vila, de Ricardo van Steen / Melhor curta: Vida Maria, de Márcio Ramos / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
11ª edição - tema: Juventude em Trânsito / homenageados: Rosanne Mulholland e João Miguel / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
12ª edição - tema: O personagem e o seu lugar / homenageado: José Eduardo Belmonte / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
13ª edição - tema: Paradoxos do contemporâneo / homenageado: Karim Aïnouz / Curadoria de Longas: Cléber Eduardo / Curadoria de Curtas: Cléber Eduardo e Eduardo Valente
22 filmes que prometem
O Time Out London selecionou 22 longas-metragens para cinéfilos e todo o público ficar ligado neste ano. Talvez alguns cheguem ao Brasil somente em 2012. Abaixo, veja a lista feita pelos críticos do site:
1) O Congresso, de Ari Folman
Após o sucesso do filme Valsa com Bashir (2008), animação para adultos indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta israelense Ari Folman promete seguir com o mesmo estilo em sua nova produção. O Congresso é adaptação de um conto do escritor polonês Stanislaw Lem, conhecido pelo romance de ficção científica Solaris (1961). A trama se passa em uma realidade distópica, em que drogas alucinógenas desempenham um papel importante no cotidiano. Boatos dizem que, em 2010, uma primeira versão do filme foi exibida para curadores do Festival de Cannes.
Assista a trechos do filme:
2) A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar
Após um intervalo de dez anos, o cineasta espanhol volta a trabalhar com o galã Antonio Banderas - a última parceria foi em Ata-me! (1990). Nesta produção, o ator viverá um cirurgião plástico que trabalha na criação de uma pele com a qual poderia salvar sua mulher Eva (Elena Anaya), vítima de um acidente de carro. A história é inspirada no romance Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, e parte das filmagens ocorreu em Santiago de Compostela, na Espanha. A Pele Que Habito promete ser um dos filmes mais perturbadores de Almodóvar e tem sua data de estreia prevista para março, na Espanha, e provavelmente estará no Festival de Cannes em maio.
3) The Deep Blue Sea, de Terence Davies
A nova produção de um dos maiores cineastas britânicos vivos, Terence Davies, é uma grande promessa para 2011. O filme marca a versão altamente personalizada de Davies da peça de teatro escrita por Terence Rattigan, de 1952, que já recebeu uma adaptação para as telas em 1955 pelo diretor russo expatriado, Anatole Litvak. Sobre um triângulo amoroso em meio às ruínas do pós-guerra em Londres, o longa é primeiramente uma ode à expressão feminina suprimida e, naturalmente, possui uma memória visual rapsódica, característica de Davies. A atriz Rachel Weisz interpreta o papel principal da socialite Hester Collyer, casada com um juiz da alta corte e se apaixona pelo ex-piloto Freddie Page. Tom Hiddlestone e Simon Russell Beale vivem os homens que ela precisa escolher.
4) Melancholia, de Lars von Trier
Este parece ser o projeto mais ambicioso tecnicamente do diretor dinamarquês Lars von Trier até hoje. Após tanto fugir dos valores primitivos de produção de seus primeiros trabalhos, como Os Idiotas (1998), Trier parece ter voltado a esse estilo original. Na trama de Melancholia, um grupo de pessoas infelizes está fugindo da Terra devido ao mero fato de que ela está em rota de colisão com outro planeta. Kirsten Dunst, que, em uma entrevista, descreveu Trier como "o melhor diretor com o qual ela já trabalhou", interpreta o papel principal. Ao lado dela estão Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgard, Corbet Brady, entre outros. No Reino Unido, a estreia está agendada para o dia 1º de julho de 2011.
5) A Dangerous Method, de David Cronenberg
Aqueles que esperam a volta de David Cronenberg às suas raízes de horror devem se preparar para a decepção. Nesta produção, o cineasta se vira para o Reino Unido em uma imponente cinebiografia histórica sobre as relações turbulentas entre o psiquiatra Carl Jung, seu respeitado mentor Sigmund Freud e a perturbada mulher que se coloca entre eles. Terceira colaboração com Cronenberg, Viggo Mortensen estrela como Freud, ao lado de seu parceiro de Senhores do Crime (2007), Vincent Cassell, como o analista austríaco Otto Gross. Completa o elenco Keira Knightley, como o interesse amoroso, e Michael Fassbender, como Jung, além de diversos talentos europeus nos papéis menores.
6) Wuthering Heights, de Andrea Arnold
Para sua estreia na direção, Ralph Fiennes reúne uma manta de retalhos, com diversos homens carrancudos e musculosos, em uma adaptação moderna de uma das tragédias de Shakespeare menos conhecidas, encharcada de sangue. Fiennes faz o papel principal do general de batalhas, que se recusa a fazer o jogo político e provoca uma revolta nas ruas de Roma. Neste caso, a majestade do mundo antigo foi trocada por um campo de batalhas do Leste Europeu. Fiennes rodou o filme em Belgrado e traz um elenco cheio de testosterona, com Gerard Butler, William Hurt, Eddie Marsan e Brian Cox. O filme terá sua estreia mundial em Berlim, em fevereiro deste ano.
8) A Árvore da Vida, de Terrence Malick
Seis anos após seu último filme, O Novo Mundo (2005), Terrence Malick volta às telas com a super produção A Árvore da Vida, estrelada por Brad Pitt, Sean Penn, entre outros novos talentos. A trama traz um conto da juventude e da inocência perdida, do envelhecimento e arrependimento, modernidade e milagres dos anos 1950 na América do Meio-Oeste. O novo filme de Malick retorna ao período e local de sua primeira e melhor obra, Terra de Ninguém (1973). No trailer, dá para perceber que a fotografia é surpreendente e que as atuações são sólidas e profundas. Previsto para estrear em maio.
Assista ao trailer:
9) The Woman in the Fifth, de Pawel Pawlikowski
Pawel Pawlikowski, cineasta que começou com documentários e passou para a ficção, retorna aos cinemas com a adaptação de um romance escrito por Douglas Kennedy, em 2007, sobre um ‘flâneur’ casado e professor de cinema (Ethan Hawke), que se muda para Paris após um escândalo em sua casa, em Ohio, e é rapidamente seduzido por uma misteriosa emigrante húngara, interpretada por Kristin Scott Thomas. O filme foi rodado em Paris e não tem previsão de estreia.
10) Senna, de Asif Kapadia
Os brasileiros foram privilegiados em assistir ao documentário Senna antes de todos. Lá fora, o filme ganhou como Melhor Documentário no Festival de Sundance, agora em janeiro, os japoneses poderão conferir logo após o Grand Prix do Japão, e, no Reino Unido, deve entrar em cartaz em julho. O documentário sobre a vida de Ayrton Senna, que morreu no GP de San Marino em 1994, é extremamente emocionante. Além de mostrar o grande ser humano e o herói brasileiro que ele foi, é um retrato de um homem que se esforçou para ser campeão mundial e que constantemente lidava com a questão da morte.
11) We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay
A diretora Lynne Ramsay impulsionou sua carreira com dois filmes notáveis: Ratcatcher (1999) e Movern Callar (2002). Porém, por causa do seu estilo cinematográfico meio intransigente ela perdeu o direito de dirigir o filme Um Olhar do Paraíso, que ficou nas mãos de Peter Jackson. Agora Lynne está de volta em uma adaptação assombrosa do romance Nós precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shriver, que narra as consequências de um massacre em uma escola de ensino médio a partir da perspectiva da mãe do assassino.
12) W.E, de Madonna
A primeira incursão de Madonna como cineasta, com a comédia Filth and Wisdom (2008), foi uma calamidade, então estamos diante de uma segunda chance. W.E tem sido descrito como um drama romântico em dois níveis, que estabelece o namoro entre Edward VII e Wallis Simpson, contraposto ao de um casal contemporâneo. Certamente soa ambicioso.
13) The Future, de Miranda July
Em 2005, a artista Miranda July dirigiu a comédia colorida Eu, Você e Todos Nós, e agora lança sua tardia continuação, The Future, que passou por Sundance e, em breve, estará no Festival de Berlim. Miranda descreve seu filme como uma comédia dramática sobre um casal, por volta dos seus 30 anos, cujo futuro é colocado em perigo devido ao seu “estado de existência dos sonhos".
14) Super 8, de J.J. Abrams
Em um dos grandes golpes de marketing dos últimos tempos, o primeiro trailer misterioso dessa produção de Spielberg, dirigida por JJ Abrams (criador da série Lost), foi divulgado na internet em maio de 2010, antes mesmo da fotografia principal ter sido feita. As primeiras imagens do longa foram divulgadas em um comercial de 30 segundos exibido no intervalo do Super Bowl. A produção é ambientada no fim dos anos 70 e gira em torno de um grupo de seis garotos que uma noite vão a uma área rural tentar fazer seu próprio filme de terror com uma câmera super 8. Enquanto a câmera está ligada, acontece uma tragédia: um caminhão e um trem colidem. E na cena do acidente surge uma criatura não-humana.
15) Your Highness, de David Gordon Green
O diretor David Gordon Green e duas das estrelas (James Franco e Danny McBride) da comédia mais maluca de 2008, Segurando as Pontas, se reúnem para esta nova insanidade medieval. O que é mais notável é que eles conseguiram arrastar queridinhos do Oscar, como Natalie Portman, Damian Lewis e Toby Jones, para essa fantasia doida. Franco interpreta Fabious, um jovem príncipe, cuja noiva (Zooey Deschanel) é sequestrada por forças obscuras, mandando-o em uma missão para resgatá-la acompanhado de seu irmão maconheiro Thadeous (McBride).
Assista ao trailer:
16) Cowboys and Aliens, de Jon Favreau
O título pode soar estranho, como um “lançamento direto em DVD”, mas há bastante expectativa e talento envolvido nessa produção. Para começar, é dirigido por Jon Favreau, que alcançou sucesso por Homem de Ferro. O roteiro foi escrito por Roberto Orci e Alex Kurtzmann, que fizeram renascer a franquia Star Trek (mas também escreveram Transformers: A Vingança dos Derrotados). E o elenco é um sonho: o James Bond e o Indiana Jones juntos e nomes como Paul Dano, Sam Rockwell, Clancy Brown e Keith Carradine, e cenários explosivos que vão dar muito trabalho a Harrison Ford e Daniel Craig. Portanto, mesmo se o filme for apenas um bando de foras da lei grisalhos trocando tiros em algumas luzes piscando no céu, não há razão para ele falhar.
17) The Rum Diary, de Bruce Robinson
Outro projeto de longa gestação, desta vez para o escritor-diretor Bruce Robinson e o astro Johnny Depp, cuja amizade com o falecido encrenqueiro Hunter S Thompson levou a esta adaptação de uma de suas obras mais amadas. No longa, Depp interpreta Paul Kemp, um jornalista americano que viaja para Porto Rico para escrever.
18) Tintin and the Secret of the Unicorn, de Steven Spielberg
Você espera três anos para um novo filme de Steven Spielberg e aí dois surgem juntos de uma vez. Spielberg retorna com uma divertida produção infanto-juvenil, adaptando Tintin e o Segredo do Unicórnio. Como tem sido amplamente divulgado, Tintin marca a primeira colaboração entre Spielberg e seu oposto Peter Jackson, em uma versão animada da série de aventura adolescente pré-guerra de Hergé. O estilo de animação pode ser um pouco enjoado de se ver, mas com todo esse talento envolvido (deve-se mencionar também os escritores Edgar Wright e Joe Cornish e os dubladores Andy Serkis, Daniel Craig, Jamie Bell e Simon Pegg) será um sucesso para todas as idades.
19) War Horse, de Steven Spielberg
War Horse é mais sombrio: adaptado do romance best-seller de Michael Morpurgo, que narra o conto de um menino que vai para as trincheiras de Flandres, em 1915, para resgatar seu amado cavalo. O filme conta com um extraordinário elenco de atores britânicos, incluindo David Thewlis, Emily Watson, Peter Mullan e Tom Hiddleston, e promete ser um favorito ao Oscar.
20) Tinker, Tailor, Soldier, Spy, de Tomas Alfredson
Gary Oldman vive o icônico espião George Smiley no novo filme do diretor de Deixe Ela Entrar (2008), Tomas Alfredson, sobre o clássico da Guerra Fria do escritor John Le Carré. Apoiado por um elenco poderoso, incluindo Colin Firth, Kathy Burke, Stephen Graham e Mark Strong, Oldman vai ter que se superar em um papel antes desempenhado por Alec Guiness. Em uma entrevista, Colin Firth mostrou confiança: "Guinness era um gênio incrível, mas eu acho que Gary fez absolutamente do seu modo".
21) Shame, de Steve McQueen
Por um longo tempo, muitos pensaram que o artista Steve McQueen estivesse planejando uma continuação de seu polêmico Hunger (2008), um retrato da greve de fome de Bobby Sands, ativista do IRA (Exército Republicano Irlandês), com um filme sobre o pioneiro do afrobeat nigeriano Fela Kuti. Mas veio à tona que McQueen está trabalhando novamente com a estrela Michael Fassbender, neste drama contemporâneo sobre um novaiorquino de 30 e poucos anos cuja vida sexual torna-se confusa quando sua irmã mais nova, Carey Mulligan, vai morar com ele.
22) Hanna, de Joe Wright
Joe Wright afasta-se dos dramas Orgulho e Preconceito (2005) e Desejo e Reparação (2007) para dirigir um thriller de ação. Hanna traz Saoirse Ronan como uma adolescente assassina que se esconde em um terreno baldio na Finlândia com seu pai e professor, interpretado por Eric Banna. Quando a CIA é notificada de seu paradeiro, a personagem de Cate Blanchett sugere que pode haver mais em Hanna do que apenas uma simples máquina de assassinato. O filme está programado para lançamento em 11 de abril nos EUA e no Reino Unido, sem previsão para passar em festivais.
Assista ao trailer:
Fonte: Time Out London
1) O Congresso, de Ari Folman
Após o sucesso do filme Valsa com Bashir (2008), animação para adultos indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o cineasta israelense Ari Folman promete seguir com o mesmo estilo em sua nova produção. O Congresso é adaptação de um conto do escritor polonês Stanislaw Lem, conhecido pelo romance de ficção científica Solaris (1961). A trama se passa em uma realidade distópica, em que drogas alucinógenas desempenham um papel importante no cotidiano. Boatos dizem que, em 2010, uma primeira versão do filme foi exibida para curadores do Festival de Cannes.
Assista a trechos do filme:
2) A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar
Após um intervalo de dez anos, o cineasta espanhol volta a trabalhar com o galã Antonio Banderas - a última parceria foi em Ata-me! (1990). Nesta produção, o ator viverá um cirurgião plástico que trabalha na criação de uma pele com a qual poderia salvar sua mulher Eva (Elena Anaya), vítima de um acidente de carro. A história é inspirada no romance Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, e parte das filmagens ocorreu em Santiago de Compostela, na Espanha. A Pele Que Habito promete ser um dos filmes mais perturbadores de Almodóvar e tem sua data de estreia prevista para março, na Espanha, e provavelmente estará no Festival de Cannes em maio.
3) The Deep Blue Sea, de Terence Davies
A nova produção de um dos maiores cineastas britânicos vivos, Terence Davies, é uma grande promessa para 2011. O filme marca a versão altamente personalizada de Davies da peça de teatro escrita por Terence Rattigan, de 1952, que já recebeu uma adaptação para as telas em 1955 pelo diretor russo expatriado, Anatole Litvak. Sobre um triângulo amoroso em meio às ruínas do pós-guerra em Londres, o longa é primeiramente uma ode à expressão feminina suprimida e, naturalmente, possui uma memória visual rapsódica, característica de Davies. A atriz Rachel Weisz interpreta o papel principal da socialite Hester Collyer, casada com um juiz da alta corte e se apaixona pelo ex-piloto Freddie Page. Tom Hiddlestone e Simon Russell Beale vivem os homens que ela precisa escolher.
4) Melancholia, de Lars von Trier
Elenco do filme ao lado do diretor (de vermelho)
Este parece ser o projeto mais ambicioso tecnicamente do diretor dinamarquês Lars von Trier até hoje. Após tanto fugir dos valores primitivos de produção de seus primeiros trabalhos, como Os Idiotas (1998), Trier parece ter voltado a esse estilo original. Na trama de Melancholia, um grupo de pessoas infelizes está fugindo da Terra devido ao mero fato de que ela está em rota de colisão com outro planeta. Kirsten Dunst, que, em uma entrevista, descreveu Trier como "o melhor diretor com o qual ela já trabalhou", interpreta o papel principal. Ao lado dela estão Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Stellan Skarsgard, Corbet Brady, entre outros. No Reino Unido, a estreia está agendada para o dia 1º de julho de 2011.
5) A Dangerous Method, de David Cronenberg
Aqueles que esperam a volta de David Cronenberg às suas raízes de horror devem se preparar para a decepção. Nesta produção, o cineasta se vira para o Reino Unido em uma imponente cinebiografia histórica sobre as relações turbulentas entre o psiquiatra Carl Jung, seu respeitado mentor Sigmund Freud e a perturbada mulher que se coloca entre eles. Terceira colaboração com Cronenberg, Viggo Mortensen estrela como Freud, ao lado de seu parceiro de Senhores do Crime (2007), Vincent Cassell, como o analista austríaco Otto Gross. Completa o elenco Keira Knightley, como o interesse amoroso, e Michael Fassbender, como Jung, além de diversos talentos europeus nos papéis menores.
6) Wuthering Heights, de Andrea Arnold
O romance O Morro dos Ventos Uivantes ganhou milhares de versões cinematográficas. A última foi em 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche
Duas obras literárias das irmãs Brontë vão ganhar versões cinematográficas em 2011: além da trama sobrenatural Jane Eyre, dirigida por Cary Fukunaga, o clássico O Morro dos Ventos Uivantes será filmado por Andrea Arnold, diretora de Fish Tank (2009). Para aqueles que não conhecem, a história desenrola-se entre o mal-humorado Heathcliff, que será vivido pelo novato James Howson, o primeiro ator negro a interpretar o papel, que tem uma relação romântica carregada e rebelde com a senhorita certinha Catherine Earnshaw, interpretada pela igualmente desconhecida Kaya Scodelario, da série britânica Skins. Qualquer pessoa familiarizada com os trabalhos anteriores de Andrea sabe que este não será um tradicional filme no estilo BBC: pode esperar performances naturalistas, muitas dramatizações pesadas e um inferno a cada pontapé emocional.
7) Coriolanus, de Ralph Fiennes
7) Coriolanus, de Ralph Fiennes
Para sua estreia na direção, Ralph Fiennes reúne uma manta de retalhos, com diversos homens carrancudos e musculosos, em uma adaptação moderna de uma das tragédias de Shakespeare menos conhecidas, encharcada de sangue. Fiennes faz o papel principal do general de batalhas, que se recusa a fazer o jogo político e provoca uma revolta nas ruas de Roma. Neste caso, a majestade do mundo antigo foi trocada por um campo de batalhas do Leste Europeu. Fiennes rodou o filme em Belgrado e traz um elenco cheio de testosterona, com Gerard Butler, William Hurt, Eddie Marsan e Brian Cox. O filme terá sua estreia mundial em Berlim, em fevereiro deste ano.
8) A Árvore da Vida, de Terrence Malick
Seis anos após seu último filme, O Novo Mundo (2005), Terrence Malick volta às telas com a super produção A Árvore da Vida, estrelada por Brad Pitt, Sean Penn, entre outros novos talentos. A trama traz um conto da juventude e da inocência perdida, do envelhecimento e arrependimento, modernidade e milagres dos anos 1950 na América do Meio-Oeste. O novo filme de Malick retorna ao período e local de sua primeira e melhor obra, Terra de Ninguém (1973). No trailer, dá para perceber que a fotografia é surpreendente e que as atuações são sólidas e profundas. Previsto para estrear em maio.
Assista ao trailer:
9) The Woman in the Fifth, de Pawel Pawlikowski
Ethan Hawke ao lado do diretor, no set de filmagens
Pawel Pawlikowski, cineasta que começou com documentários e passou para a ficção, retorna aos cinemas com a adaptação de um romance escrito por Douglas Kennedy, em 2007, sobre um ‘flâneur’ casado e professor de cinema (Ethan Hawke), que se muda para Paris após um escândalo em sua casa, em Ohio, e é rapidamente seduzido por uma misteriosa emigrante húngara, interpretada por Kristin Scott Thomas. O filme foi rodado em Paris e não tem previsão de estreia.
10) Senna, de Asif Kapadia
Os brasileiros foram privilegiados em assistir ao documentário Senna antes de todos. Lá fora, o filme ganhou como Melhor Documentário no Festival de Sundance, agora em janeiro, os japoneses poderão conferir logo após o Grand Prix do Japão, e, no Reino Unido, deve entrar em cartaz em julho. O documentário sobre a vida de Ayrton Senna, que morreu no GP de San Marino em 1994, é extremamente emocionante. Além de mostrar o grande ser humano e o herói brasileiro que ele foi, é um retrato de um homem que se esforçou para ser campeão mundial e que constantemente lidava com a questão da morte.
11) We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay
A diretora Lynne Ramsay impulsionou sua carreira com dois filmes notáveis: Ratcatcher (1999) e Movern Callar (2002). Porém, por causa do seu estilo cinematográfico meio intransigente ela perdeu o direito de dirigir o filme Um Olhar do Paraíso, que ficou nas mãos de Peter Jackson. Agora Lynne está de volta em uma adaptação assombrosa do romance Nós precisamos falar sobre Kevin, de Lionel Shriver, que narra as consequências de um massacre em uma escola de ensino médio a partir da perspectiva da mãe do assassino.
12) W.E, de Madonna
Abbie Cornish está no elenco de W.E
A primeira incursão de Madonna como cineasta, com a comédia Filth and Wisdom (2008), foi uma calamidade, então estamos diante de uma segunda chance. W.E tem sido descrito como um drama romântico em dois níveis, que estabelece o namoro entre Edward VII e Wallis Simpson, contraposto ao de um casal contemporâneo. Certamente soa ambicioso.
13) The Future, de Miranda July
Em 2005, a artista Miranda July dirigiu a comédia colorida Eu, Você e Todos Nós, e agora lança sua tardia continuação, The Future, que passou por Sundance e, em breve, estará no Festival de Berlim. Miranda descreve seu filme como uma comédia dramática sobre um casal, por volta dos seus 30 anos, cujo futuro é colocado em perigo devido ao seu “estado de existência dos sonhos".
14) Super 8, de J.J. Abrams
Em um dos grandes golpes de marketing dos últimos tempos, o primeiro trailer misterioso dessa produção de Spielberg, dirigida por JJ Abrams (criador da série Lost), foi divulgado na internet em maio de 2010, antes mesmo da fotografia principal ter sido feita. As primeiras imagens do longa foram divulgadas em um comercial de 30 segundos exibido no intervalo do Super Bowl. A produção é ambientada no fim dos anos 70 e gira em torno de um grupo de seis garotos que uma noite vão a uma área rural tentar fazer seu próprio filme de terror com uma câmera super 8. Enquanto a câmera está ligada, acontece uma tragédia: um caminhão e um trem colidem. E na cena do acidente surge uma criatura não-humana.
15) Your Highness, de David Gordon Green
O diretor David Gordon Green e duas das estrelas (James Franco e Danny McBride) da comédia mais maluca de 2008, Segurando as Pontas, se reúnem para esta nova insanidade medieval. O que é mais notável é que eles conseguiram arrastar queridinhos do Oscar, como Natalie Portman, Damian Lewis e Toby Jones, para essa fantasia doida. Franco interpreta Fabious, um jovem príncipe, cuja noiva (Zooey Deschanel) é sequestrada por forças obscuras, mandando-o em uma missão para resgatá-la acompanhado de seu irmão maconheiro Thadeous (McBride).
Assista ao trailer:
16) Cowboys and Aliens, de Jon Favreau
O título pode soar estranho, como um “lançamento direto em DVD”, mas há bastante expectativa e talento envolvido nessa produção. Para começar, é dirigido por Jon Favreau, que alcançou sucesso por Homem de Ferro. O roteiro foi escrito por Roberto Orci e Alex Kurtzmann, que fizeram renascer a franquia Star Trek (mas também escreveram Transformers: A Vingança dos Derrotados). E o elenco é um sonho: o James Bond e o Indiana Jones juntos e nomes como Paul Dano, Sam Rockwell, Clancy Brown e Keith Carradine, e cenários explosivos que vão dar muito trabalho a Harrison Ford e Daniel Craig. Portanto, mesmo se o filme for apenas um bando de foras da lei grisalhos trocando tiros em algumas luzes piscando no céu, não há razão para ele falhar.
17) The Rum Diary, de Bruce Robinson
Outro projeto de longa gestação, desta vez para o escritor-diretor Bruce Robinson e o astro Johnny Depp, cuja amizade com o falecido encrenqueiro Hunter S Thompson levou a esta adaptação de uma de suas obras mais amadas. No longa, Depp interpreta Paul Kemp, um jornalista americano que viaja para Porto Rico para escrever.
18) Tintin and the Secret of the Unicorn, de Steven Spielberg
Você espera três anos para um novo filme de Steven Spielberg e aí dois surgem juntos de uma vez. Spielberg retorna com uma divertida produção infanto-juvenil, adaptando Tintin e o Segredo do Unicórnio. Como tem sido amplamente divulgado, Tintin marca a primeira colaboração entre Spielberg e seu oposto Peter Jackson, em uma versão animada da série de aventura adolescente pré-guerra de Hergé. O estilo de animação pode ser um pouco enjoado de se ver, mas com todo esse talento envolvido (deve-se mencionar também os escritores Edgar Wright e Joe Cornish e os dubladores Andy Serkis, Daniel Craig, Jamie Bell e Simon Pegg) será um sucesso para todas as idades.
19) War Horse, de Steven Spielberg
War Horse é mais sombrio: adaptado do romance best-seller de Michael Morpurgo, que narra o conto de um menino que vai para as trincheiras de Flandres, em 1915, para resgatar seu amado cavalo. O filme conta com um extraordinário elenco de atores britânicos, incluindo David Thewlis, Emily Watson, Peter Mullan e Tom Hiddleston, e promete ser um favorito ao Oscar.
20) Tinker, Tailor, Soldier, Spy, de Tomas Alfredson
Gary Oldman vive o icônico espião George Smiley no novo filme do diretor de Deixe Ela Entrar (2008), Tomas Alfredson, sobre o clássico da Guerra Fria do escritor John Le Carré. Apoiado por um elenco poderoso, incluindo Colin Firth, Kathy Burke, Stephen Graham e Mark Strong, Oldman vai ter que se superar em um papel antes desempenhado por Alec Guiness. Em uma entrevista, Colin Firth mostrou confiança: "Guinness era um gênio incrível, mas eu acho que Gary fez absolutamente do seu modo".
21) Shame, de Steve McQueen
Por um longo tempo, muitos pensaram que o artista Steve McQueen estivesse planejando uma continuação de seu polêmico Hunger (2008), um retrato da greve de fome de Bobby Sands, ativista do IRA (Exército Republicano Irlandês), com um filme sobre o pioneiro do afrobeat nigeriano Fela Kuti. Mas veio à tona que McQueen está trabalhando novamente com a estrela Michael Fassbender, neste drama contemporâneo sobre um novaiorquino de 30 e poucos anos cuja vida sexual torna-se confusa quando sua irmã mais nova, Carey Mulligan, vai morar com ele.
22) Hanna, de Joe Wright
Joe Wright afasta-se dos dramas Orgulho e Preconceito (2005) e Desejo e Reparação (2007) para dirigir um thriller de ação. Hanna traz Saoirse Ronan como uma adolescente assassina que se esconde em um terreno baldio na Finlândia com seu pai e professor, interpretado por Eric Banna. Quando a CIA é notificada de seu paradeiro, a personagem de Cate Blanchett sugere que pode haver mais em Hanna do que apenas uma simples máquina de assassinato. O filme está programado para lançamento em 11 de abril nos EUA e no Reino Unido, sem previsão para passar em festivais.
Assista ao trailer:
Fonte: Time Out London
morre Maria Schneider (1952 - 2011)
Aos 58 anos, Maria Schneider morreu após sofrer com câncer. Ela já estava há um tempo hospitalizada em Paris. A atriz sempre é relacionada ao papel que desempenhou em Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci, conhecido como "o filme da manteiga" pela sua forte cena de estupro. Aliás, esta cena não estava no roteiro da produção e foi improvisada no próprio set de filmagens.
Maria tinha apenas 19 anos quando atuou ao lado de Marlon Brando neste filme. Na época, o longa foi censurado em diversos países, inclusive o Brasil por causa das cenas de sexo. Na Itália, o diretor Bertolucci recebeu uma sentença de prisão por obscenidade e foi proibido de votar por cinco anos.
No filme, Brando é um norte-americano de meia idade cuja mulher se suicidou. Maria é uma parisiense que está prestes a se casar. Os dois se encontram pois estão interessados em comprar o mesmo apartamento. Daí, começa toda a relação carnal com a condição de que eles não podem saber nada um do outro. Talvez por ódio desse estigma na sua carreira, Maria declarou uma vez que esse filme a fez sentir-se humilhada e que arruinou sua vida. Ela descreveu Bertolucci como um gângster e cafetão e se recusou a falar com ele por 15 anos.
Três anos depois, ela ressurgiu em O Passageiro - Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni. Maria interpreta uma jovem turista inglesa, sem nome, que aceita ajudar o jornalista vivido por Jack Nicholson a escapar de seus conhecidos após trocar de identidade.
A atriz ainda trabalhou em mais de 50 produções em cinema e na TV europeia, mas nada tão relevante quanto esses dois longas (estou certa?). Ela me despertava interesse por não ser uma atriz bela, mas com um ar muito misterioso e desligado. Sua última aparição foi no filme francês Cliente (2008) até Maria descobrir sua doença.
Maria tinha apenas 19 anos quando atuou ao lado de Marlon Brando neste filme. Na época, o longa foi censurado em diversos países, inclusive o Brasil por causa das cenas de sexo. Na Itália, o diretor Bertolucci recebeu uma sentença de prisão por obscenidade e foi proibido de votar por cinco anos.
No filme, Brando é um norte-americano de meia idade cuja mulher se suicidou. Maria é uma parisiense que está prestes a se casar. Os dois se encontram pois estão interessados em comprar o mesmo apartamento. Daí, começa toda a relação carnal com a condição de que eles não podem saber nada um do outro. Talvez por ódio desse estigma na sua carreira, Maria declarou uma vez que esse filme a fez sentir-se humilhada e que arruinou sua vida. Ela descreveu Bertolucci como um gângster e cafetão e se recusou a falar com ele por 15 anos.
Três anos depois, ela ressurgiu em O Passageiro - Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni. Maria interpreta uma jovem turista inglesa, sem nome, que aceita ajudar o jornalista vivido por Jack Nicholson a escapar de seus conhecidos após trocar de identidade.
A atriz ainda trabalhou em mais de 50 produções em cinema e na TV europeia, mas nada tão relevante quanto esses dois longas (estou certa?). Ela me despertava interesse por não ser uma atriz bela, mas com um ar muito misterioso e desligado. Sua última aparição foi no filme francês Cliente (2008) até Maria descobrir sua doença.
sobre o filme Além da Vida (2010), de Clint Eastwood
A lista de filmes que refletem a existência de vida após a morte é imensa. Pode-se citar desde Ghost (1990), dramalhão com Demi Moore e Patrick Swayze, Amor Além da Vida (1998), estrelado por Robin Williams, A Casa dos Espíritos (1993), baseado no romance de Isabel Allende, O Mistério da Libélula (2002), entre outras produções. Em sua obra mais recente, o cineasta norte-americano Clint Eastwood parece fissurado com esse tema da morte. Em filmes como Menina de Ouro (2004) e Gran Torino (2008), ele chega a lidar com o assunto, mas muito diferente do jeito que dirigiu Além da Vida.
No filme, o roteirista Peter Morgan (A Rainha e Frost/Nixon) cria três narrativas, que se intercalam com uma fluência impressionante, sobre personagens que têm suas vidas ligadas à morte. A sequência inicial traz a jornalista Marie Lelay, vivida por Cécile De France, presente no tsunami da Tailândia em 2004, em uma das cenas de tragédias naturais mais bem filmadas da história cinematográfica. Perto de filmes-catástrofes como O Dia Depois de Amanhã e 2012, essa cena é muito realista e certamente foi a que colocou Além da Vida entre os indicados ao Oscar de Efeitos Visuais. Ao sobreviver, Marie volta para a França empenhada a investigar e divulgar essa experiência de “quase-morte”, o que custará o seu emprego e sua popularidade.
Após atuar em Invictus (2009), o ator (mais hollywoodiano do elenco) Matt Damon está excelente no papel do sensitivo George Lonegan, que alcançou muito sucesso e dinheiro por ser médium. Porém, esse dom torna-se uma maldição. Ele larga tudo para trabalhar no cais do porto e tenta agir como uma pessoa normal, frequentando aulas de culinária para conhecer novas pessoas. Nas cenas em que Lonegan sente os espíritos, o diretor reproduz imagens desfocadas e iluminadas, de um modo que as pessoas normalmente descrevem o outro lado. Eastwood não recria figuras fantasmagóricas nem pacíficas, nem um mundo totalmente branco com seres flutuando. Ele parte para o simplório, o que é uma ótima solução.
Já o garoto londrino Marcus entra em depressão com a trágica morte de Jason, seu irmão gêmeo (George e Frankie McLaren nos dois papéis). Ele procura entrar em contato com o irmão por meio de várias crenças, que busca pela internet, mas nada funciona. Em uma dessas jornadas, Marcus consegue escapar de um ataque terroristas ao metrô de Londres, em 7 de julho de 2005. Outra cena assustadora devido ao peso que terá na trama mais adiante.
Fora essas sequências da onda gigante e da explosão no subterrâneo, o filme é puramente reflexivo, com personagens sempre em busca daquilo que a morte tirou deles, colocando em segundo plano suas vidas e o que realmente está vivo ao redor. Porém, Eastwood não usa Além da Vida para pregar alguma verdade ou uma doutrina religiosa. Ele deixa espaço suficiente para o público tirar suas próprias conclusões. Se você acredita ou não na existência de vida após a morte não importa perante esse bom filme do grande cineasta Eastwood.
Assista ao trailer:
No filme, o roteirista Peter Morgan (A Rainha e Frost/Nixon) cria três narrativas, que se intercalam com uma fluência impressionante, sobre personagens que têm suas vidas ligadas à morte. A sequência inicial traz a jornalista Marie Lelay, vivida por Cécile De France, presente no tsunami da Tailândia em 2004, em uma das cenas de tragédias naturais mais bem filmadas da história cinematográfica. Perto de filmes-catástrofes como O Dia Depois de Amanhã e 2012, essa cena é muito realista e certamente foi a que colocou Além da Vida entre os indicados ao Oscar de Efeitos Visuais. Ao sobreviver, Marie volta para a França empenhada a investigar e divulgar essa experiência de “quase-morte”, o que custará o seu emprego e sua popularidade.
Após atuar em Invictus (2009), o ator (mais hollywoodiano do elenco) Matt Damon está excelente no papel do sensitivo George Lonegan, que alcançou muito sucesso e dinheiro por ser médium. Porém, esse dom torna-se uma maldição. Ele larga tudo para trabalhar no cais do porto e tenta agir como uma pessoa normal, frequentando aulas de culinária para conhecer novas pessoas. Nas cenas em que Lonegan sente os espíritos, o diretor reproduz imagens desfocadas e iluminadas, de um modo que as pessoas normalmente descrevem o outro lado. Eastwood não recria figuras fantasmagóricas nem pacíficas, nem um mundo totalmente branco com seres flutuando. Ele parte para o simplório, o que é uma ótima solução.
Já o garoto londrino Marcus entra em depressão com a trágica morte de Jason, seu irmão gêmeo (George e Frankie McLaren nos dois papéis). Ele procura entrar em contato com o irmão por meio de várias crenças, que busca pela internet, mas nada funciona. Em uma dessas jornadas, Marcus consegue escapar de um ataque terroristas ao metrô de Londres, em 7 de julho de 2005. Outra cena assustadora devido ao peso que terá na trama mais adiante.
Fora essas sequências da onda gigante e da explosão no subterrâneo, o filme é puramente reflexivo, com personagens sempre em busca daquilo que a morte tirou deles, colocando em segundo plano suas vidas e o que realmente está vivo ao redor. Porém, Eastwood não usa Além da Vida para pregar alguma verdade ou uma doutrina religiosa. Ele deixa espaço suficiente para o público tirar suas próprias conclusões. Se você acredita ou não na existência de vida após a morte não importa perante esse bom filme do grande cineasta Eastwood.
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